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15 Dezembro, 2006

Entrevista - Fernanda Takai

Queria entrevistar uma banda de pop rock nacional ainda este ano. Pensando nos leitores achei que teria que ser uma banda de personalidade forte e ao mesmo tempo doce. E Pato Fu foi o primeiro nome que me ocorreu.

Os contatos com a Fernanda Takai começaram antes da turnê que o Pato Fu fez pela Europa. A Fernanda não demorou em atender as minhas solicitações e prometeu uma entrevista para a volta. Pensei: “lá se foi a minha chance”. Mas dentre todas as qualidades que a moça tem podem acrescentar ai mais uma: ela tem palavra e cumpriu o que prometeu. E com muita, mas muita simpatia e atenção.

Fernanda Takai dispensa maiores apresentações e o Pato Fu mantém um site bastante atualizado, vale a visita.

Mesmo que você não seja fã da banda é impossível você ler a entrevista e não querer ouvir a música deles logo em seguida. Não tem o CD? Clica aqui e ouça As Brigas que Perdi.

Espero que gostem do resultado.

M. Pimenta - Vocês acabaram de fazer uma mini-turnê por Portugal e um show em Londres. Como anda o espaço para a música latina no além-mar?

F. Takai - Portugal abre bastante espaço pra produção cultural brasileira de modo geral. É comum ver anúncios de espetáculos de teatro, filmes, shows de artistas brasileiros... As músicas daqui tocam com freqüência em rádios de lá. O contrário não ocorre. É muito difícil você ouvir um artista português nas rádios do Brasil.

Temos tentado trocar figurinhas com bandas portuguesas para que exista mais divulgação aqui do que tem sido feito de novo por eles, especialmente no segmento pop rock.

Claro que ainda há mais facilidade de encaixe no mercado para aqueles que tem um som mais "Brasil-exportação", como em Londres or exemplo. O Pato Fu não tem isso porque nossas influências são diversas. Se não cantássemos em português, as pessoas não adivinhariam nossa origem pelo som. Demorou bastante tempo pra gente conseguir se apresentar ao vivo

nesses países, mas valeu a pena porque o show é nossa melhor moeda. Acho que vamos voltar!

M. Pimenta - A década de 80 foi rica para o rock brasileiro, coincidência ou não, as letras eram muito politizadas, algo raro hoje em dia. Os jovens eram mais politizados também. Você acha que o rock tem a responsabilidade de influenciar (no sentido educativo) o jovem ou é influenciado por eles?

F. Takai - Não acho que o rock dos anos 80 tenha sido mais politizado, nem que o jovem daquela época prestasse mais atenção no assunto que os de hoje. Havia mais variedade estética, mas até mesmo o discurso político dentro de uma letra pode ser simplesmente uma característica de um segmento e ficar banal. Há pessoas escrevendo com essa conotação também, mas parece que as categorias musicais são mais restritas quando se fala em visibilidade. As grandes rádios tocam cada vez menos artistas por vez e todos se parecem. Tem jovem consciente sim. Sou contra essa idéia de que bandas ou compositores que não falem explicitamente de política sejam menos cidadãos ou por acaso deixem de ter um papel bacana na sociedade.

Algumas vezes a gente pode chamar a atenção dos jovens e do público em geral para alguns assuntos importantes sem ter que levantar bandeira, ser panfletário.

Sim, acho que o jovem busca alguma forma de identificação com os artistas que admira, então tudo o que está em torno de nosso trabalho recebe um foco de atenção. Prefiro pensar nessa influência de forma mais subjetiva e não num "dedo na cara" ou "faça isso, faça aquilo".

M. Pimenta - De que forma a música pode contribuir na formação dos jovens?

F. Takai - Gostar de música é sempre algo muito bom na vida de qualquer pessoa. Essa capacidade abstrata embutida nela... algo inexplicável como a empatia por uma voz, um timbre, a vontade de se colocar um disco pra tocar, de querer aprender um instrumento, escrever uma poesia que pode vir a ser uma letra, nos torna humanos mais sensíveis. Além disso, a linguagem musical é mesmo universal. Ter algum domínio sobre ela como músico ou como ouvinte, já nos coloca em contato com outras culturas, outras linguagens. Ocupar o tempo dos jovens com música devia ser matéria obrigatória nas escolas. Seria também o embrião para uma formação profissional extra.

M. Pimenta - Vocês acabaram de fazer um show em Salvador, cidade de uma cultura riquíssima e com uma das maiores desigualdades sociais do Brasil. Como é lidar com um público com valores tão destoantes?

F. Takai - A gente encontra esse tipo de desigualdade Brasil afora. O evento que fizemos em Salvador é um bom exemplo de tentarmos equilibrar um pouco mais essa balança. Os ingressos tinham preços bem populares, o mais caro custava 10 reais e estimulava-se a doação de livros. Parece batido dizer que a gente precisa investir em educação, mas é esse mesmo o caso. Saber e querer ler mais é ser iluminado por idéias. É abrir pra mais gente a possibilidade de se viver melhor, de arranjar saídas, de fermentar a mente.

M. Pimenta - Há planos do Pato Fu no próximo ano para a Europa? E para a América Latina?

F. Takai - Gostaríamos de voltar à Europa no verão, quando a temporada de shows acontece com mais vigor. Há festivais interessantes em Portugal, França, Espanha, Inglaterra que talvez pudessem ser uma boa vitrine pro Pato Fu. A disputa é grande, mas estamos mandando material desde já.

Temos estreitado os laços com alguns artistas da latino-américa como os Aterciopelados (Colômbia) e Babasônicos (Argentina). Há outros artistas que admiramos como Café Tacuba e Julieta Venegas do México... acho que todos temos vontade de interagir mais. Vamos tentando pouco a pouco.

M. Pimenta - Gostaria que vocês comentassem a frase do "press release" de vocês: “O Pato Fu é uma banda da qual se espera tudo. Não qualquer coisa, mas tudo”.

F. Takai - Sempre dissemos que o Pato Fu tem álibi pra fazer música de todo o jeito desde que seja boa. Não colocamos fronteiras estéticas nas canções. Já ousamos gravar em espanhol, japonês, italiano, francês, inglês e nem falamos essas línguas todas tão bem... Também os assuntos de cada letra são bem diferentes. Podemos falar sobre licitação pública, amor de cachorro, perdas, ganhos, luz no fim do túnel, vingança tecnológica do Japão, inteligência artificial, saudade, sem deixar de ser sempre Pato Fu.

Márcio, obrigada pelo espaço e divulgação!

M. Pimenta – Nós é quem agradecemos Fernanda.

19 Comments:

At 7:56 AM, Anonymous junior said...

Marcião,
Adorei a entrevista, eu curto um pouquinho Pato Fu, em especial a música Pinga. eu até quase que gosto de algumas letrinhas e tals, apesar de quase nunca me ligar em letras, acho que a musicalidade deles é boa. Não curti, como era esperado, o lance de ela achar que as bandas blá blá blá da resposta a sua segunda pergunta. A moça é mais pocotó que eu, Bléeh!. rssss
abração meu broder

 
At 8:16 AM, Anonymous catatau said...

Novamente, uma boa entrevista. Mas acho que sim, nos anos 80 as bandas eram mais politizadas, e o resultado era muito positivo. Como já dizia o Engenheiros, hoje mais ainda "a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante". Especialmente os pseudo-rebeldes-conscientes via Charlie Brown, e hip hop...

 
At 8:19 AM, Anonymous Rodrigo P. Ghedin said...

O Pato Fu é uma das pouquíssimas bandas nacionais que eu gosto mesmo, e a Fernanda Takai passa a imagem de ser uma moça extremamente bacana. Imagem esta que foi reforçada por esta entrevista.

[]'s!

 
At 8:20 AM, Blogger Cássio Augusto said...

Opa... mais uma bela entrevista... pena que discordo da Fernanda em vários pontos!!! hehe

 
At 11:07 AM, Anonymous Alencar said...

BOA ENTREVISTA.
A FERNANDA TAKAI, faz a diferença no cenário do pop rock nacional. Com uma voz suave e letras da melhor qualidade o PATO FU se torna uma manda diferente das outras.
Parabéns pela entrevista e pelo blog. Abraços.

 
At 1:24 PM, Anonymous Hellen said...

Eu adoro Pato Fu e a entrevista tá show de bola!
Sou recém chegada no blog e já me conkistou hehe

Sucesso!

 
At 6:01 PM, Blogger Thiago "James" said...

Assim falou Takai! =D
Marcio, muito boa a entrevista! Ainda descubro como tu arruma esses contatos! =P

Pato Fu é uma [se não "A"] das minhas bandas nacionais preferidas, não apenas pelas músicas, mas pela presença da banda. O jeito "Pato Fu" de ser.

Dos anos 80, vale lembrar que rock ainda era meio que uma novidade no cenário nacional [há quem diga que "Blitz" foi a primeira banda de rock nacional: alguém confirma ou desminta, por favor?], portanto havia muito daquele grito de "rebeldia" que muitos precisavam sufocar. Muitos jovens se identificaram com aquele estilo novo e aderiram à "rebeldia". Não sei se eram mais ou menos politizados, mas o rock mostrou muita influência sobre a massa jovem da época.

 
At 6:14 PM, Blogger The human who sold the world said...

"Ocupar o tempo dos jovens com música devia ser matéria obrigatória nas escolas."

É por isso q a cada dia eu admiro mais o Pato Fu!!!!

Parabéns, cara! Adorável!

 
At 8:47 PM, Blogger Mariana Valadares - Poucas e Boas da Mari said...

Não tem nem o que falar. Amo Pato Fú, admiro a banda pacas e a Fernanda foi show de bola.

Parabéns Márcio
Beijocas
Mari

 
At 9:44 PM, Blogger lucasdc said...

parabens pela entrevista!!
gostei do blog =]

abraços

lucas

 
At 9:06 AM, Blogger Lara said...

Ual!Sou super fã do som deles...
Isso porque nunca fui de ter "ídolos" musicais, pq enjôo fácil quando escuto muito um mesmo estilo. Como essa banda consegue se reiventar sempre, sem perder qualidade e estilo, acabei comprando todos os cds deles! Muito bacana a entrevista!Amei
Bju e bom fds amigo!!

 
At 4:45 PM, Anonymous Uilians Santos said...

Rock nem é o meu estilo preferido, mas pela entrevista senti vontade de conhcer melhro o trabalho dessa banda... valeu pela dica de alterações no Palavras Certas estou estudando essa possibilidade e acho que depois de um ano de existência precisamos de uma nova cara...

 
At 10:05 PM, Blogger Miss Supahstah said...

Ótimo. Viva Fernanda!!!!

:)

 
At 4:05 AM, Blogger shy said...

não curto pato-fu

mas seu blog está muito bom,muito bem elaborado e com um ótimo conteúdo,parabéns.

 
At 4:06 AM, Blogger shy said...

não curto pato-fu

mas seu blog está muito bom,muito bem elaborado e com um ótimo conteúdo,parabéns.

 
At 4:06 AM, Blogger shy said...

não curto pato-fu

mas seu blog está muito bom,muito bem elaborado e com um ótimo conteúdo,parabéns.

 
At 4:07 AM, Blogger shy said...

não curto pato-fu

mas seu blog está muito bom,muito bem elaborado e com um ótimo conteúdo,parabéns.

 
At 4:11 AM, Blogger shy said...

não curto pato-fu

mas seu blog está muito bom,muito bem elaborado e com um ótimo conteúdo,parabéns.
e parabéns pela entrevista.

Um abraço,matheus.

 
At 11:41 AM, Blogger Wanderley Garcia said...

Adoro Pato Fu e gostei de ler esta entrevista aqui. Fernanda toca num ponto importante: hj, poucas bandas aparecem. O espaço dos artistas na grande mídia diminui. Taí a importância dos blogs e pgs pessoais, que podem promover a diversidade.
Parabéns Marcio.

Wanderley
http://proncovo.blogspot.com
http://entrepautas.blogspot.com

 

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